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Nefretum- o deus do perfume & A paixão dos egípcios pelo perfume transcendia os limites da matéria


No mágico reino do antigo Egipto, onde o perfume era mais do que uma simples fragrância, mas sim uma ponte entre o terreno e o divino, emergia a figura enigmática de Nefertum. Nefertum, a deusa do perfume e da beleza, personificava os mistérios e a essência transcendente que os egípcios acreditavam e sabiam estar contidos nas fragrâncias aromáticas. Segurando nas mãos as flores de lótus, símbolo de pureza e renascimento, ela personificava o poder da transformação espiritual que o perfume trazia consigo.





Esta deidade era considerado o Deus da juventude, da beleza, do renascimento e do perfume. Nefertum era frequentemente retratado como um jovem com uma coroa de lótus ou de flores, simbolizando sua conexão com a regeneração e a vitalidade.


A sua associação com o lótus era particularmente importante, já que o lótus era um símbolo de renascimento e renovação.


O lótus cresce nas margens do Nilo, emergindo das águas lamacentas para florescer em toda a sua beleza. Isso foi visto como uma representação do ciclo de vida, morte e renascimento, e Nefertum estava ligada a esse poder de renovação.



Nefertum também estava relacionada à criação do sol nascente, sendo considerada como tendo emergido do lírio aquático que se abria para receber o primeiro raio de sol. Essa associação com o sol nascente conectava-o à ideia de um novo começo a cada amanhecer.


Além de sua conexão com o renascimento e a juventude, Nefertum também era associado ao perfume e às fragrâncias. Os egípcios acreditavam que os aromas das flores e das plantas tinham propriedades mágicas e espirituais, e Nefertum personificava essa relação entre a fragrância e o divino.



A paixão dos egípcios pelo perfume transcendia os limites da matéria, atingindo os reinos espirituais.


Os aromas eram muito mais do que apenas adornos, eles eram portadores de mensagens aos deuses e uma forma de se conectar com o divino. Nas câmaras sombrias dos templos, os sacerdotes realizavam rituais meticulosos de unção, usando os óleos aromáticos para ungir estátuas divinas, criando uma atmosfera permeada por um perfume que transcendia os sentidos humanos.





O perfume era uma ponte entre mundos, uma manifestação tangível do sagrado que permeava a vida cotidiana e os rituais religiosos. Era usado em momentos de devoção, de celebração e até mesmo de passagem. Nos rituais funerários, os mortos eram ungidos com preciosos óleos aromáticos como um gesto de preparação para a jornada espiritual além desta vida. Acreditava-se que os aromas não apenas honravam os deuses, mas também acompanhavam as almas em sua jornada pós-morte, guiando-as através do desconhecido.



Os egípcios dominaram diversas técnicas para extrair os aromas preciosos das plantas. A destilação, embora não fosse conhecida nesse contexto (foi mais tarde desenvolvida pelos árabes) , cedia espaço a métodos como a infusão e a enfleurage. Através destes processos morosos e delicados capturavam os seus óleos essenciais em um delicado abraço. Esses óleos resultantes eram então usados para criar as preciosas fragrâncias que permeavam a vida egípcia.



Fotografia: Teresa Feijó procedendo ao método de enfluerage



A extração dos aromas era intrinsecamente ritualizada. Era realizada com reverência e cuidado, com os sacerdotes frequentemente recitando preces enquanto manuseavam as plantas e os óleos.

A criação de perfumes era uma forma de alquimia espiritual, uma maneira de canalizar as propriedades místicas das plantas para elevar o espírito e a mente.


Teresa Feijó


O perfume, assim, não era apenas um acessório no antigo Egito, mas um portal para o mundo divino. Ele permeava todos os aspectos da vida, desde os rituais nos templos até o cuidado pessoal. Era uma linguagem espiritual, uma maneira de se comunicar com os deuses e honrar as forças que governavam o universo.

imagem autor: teresa feijó


Nefertum, o deus do perfume, simbolizava essa conexão íntima entre o terreno e o divino, onde os aromas eram os fios invisíveis que uniam o homem aos deuses e ao além.


Autor: Teresa Feijó

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